O dilema da era digital

As redes sociais são um bálsamo para a alma, mas também têm o seu lado perverso. Quando se publica uma novidade (que seja positiva), uma mudança de vida, de emprego ou do que quer que seja, numa qualquer rede social, chovem comentários elogiosos de toda a parte. De amigos. Ou que se dizem amigos e que, até então, eram meros conhecidos.

Quando sucede, justamente, o oposto, ou seja, quando perdemos, por exemplo, o emprego, também é comum recebermos feedback positivo, seja ele de força, de incentivo, de elogio por aquilo que construimos. Porém, é nestas alturas que nos resguardamos. Que nos remetemos ao silêncio e não damos a conhecer aquilo que nos afeta. Aconteceu isso comigo. Não publiquei, absolutamente, nada. Porque não tinha necessidade nem vontade de contar a ninguém o que, realmente, me entristecera.

A verdade é que as notícias, mesmo as que não são publicadas na internet, correm depressa. Mais depressa do que imaginamos. Eu próprio constatei essa realidade. Ainda assim, foram poucas as palavras de conforto que recebi, na altura, tanto por telefone como por SMS.

Este estado de espírito faz-me remontar ao período em que ainda não existiam redes sociais. Nesse tempo, uma simples mensagem para o telemóvel fazia toda a diferença. Ou um mero telefonema a dizer-nos, simplesmente, que estão ali. As tais pessoas disponíveis para te ouvir e aconselhar.

Agora temos tudo à disposição e, ao mesmo tempo, não temos nada. As redes sociais tomaram conta do nosso mundo. Já não se enviam as tradicionais SMS's, tão-pouco se telefona a desejar os parabéns ou um feliz Natal. Adota-se a via mais simples e económica: escreve-se um post na rede social e... está feito! É assim que estamos na denominada era digital. 

Comentários

  1. Concordo plenamente! Quanto mais diapositivos digitais existem à disposição, menos contacto pessoal existe! Penso que as pessoas pensam que as redes etc substituem esse mesmo contacto.

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  2. É muito triste... Eu não tenho redes e ainda bem
    Só mesmo aqui o blog, pronto..
    Perde-se tanto...

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    1. Já tinha escrito sobre este tema e agora fi-lo de novo, mas sob outra perspetiva. Mas, olha Beatriz, mantém o blog, pois é um gosto ler os teus textos.

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    2. Ohhh, fico grata pelas simpáticas palavras!

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  3. Nah nah nah, nah nim, não! Olá Pedro, pela primeira vez comento para discordar. Antes de mais, lamento sinceramente a situação. O sentimento de perda é avassalador. É um evento que nos entristece e desespera, que tira o ar, o chão, a alegria, a tranquilidade. Tira tudo. E demora muito tempo para o conseguirmos sequer entender, aceitar ou processar. E às vezes volta quando pensávamos que já estava meio resolvido, com um peso que nos derruba. Verdade. Mas quem olha para o outro lado nestas situações, não é verdadeiramente amigo de ninguém. Como diz o ditado "ver nas costas dos outros, o que fazem nas minhas". Quem está connosco, sabemos quem são, mesmo que não nos digam nada, ou que não se apercebam, porque não deixamos ou porque não tiveram oportunidade. Mas sabemos que seja qual for a hora, o meio, o canal para falar, desabafar ou pedir apoio, estão lá, ou aqui, sempre, haja o que houver. E a recíproca. Não são as redes sociais que fazem as pessoas, são as Pessoas que fazem as redes sociais. E para quem é amigo há sempre tempo para uma mensagem especial. Acredito nisso. Abraço e força, coragem. 🐦

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