O tempo em que ia ver a bola
Lembro-me da minha felicidade em ir ao Estádio da Luz aos domingos à tarde. De comer uma ‘bucha’ numa qualquer rulote momentos antes de subir os degraus da bancada à procura de um espaço acolhedor. Um espaço onde não haviam cadeiras. “Não se importa de chegar um pouco para lá?”, alvitrava, com a almofada na mão, na esperança de encontrar um lugar com o melhor ângulo de visão possível.
A ida ao bar para beber um cafezinho antecedia a rotina diária do movimento feirante nas bancadas. Não raras vezes ouvia lá ao fundo as vozes que nos enchiam a alma e… o estômago. Quem não se recorda do ‘olá fresquinho’, ‘é só nougat’ ou ‘olha as queijadas de Sintra’?
Naquele anfiteatro, de tão gratas recordações, até o tradicional aquecimento das equipas era motivo de tertúlia e de discussão. E não haviam cá ‘speakers’ a gritar em plenos altifalantes. Apenas a música e o som ambiente davam brilho a um espetáculo que se perdeu no tempo. Refém das tecnologias e dos novos hábitos, é nestas alturas que me lembro do afamado tema de António Mourão “Ó tempo, volta p’ra trás” …

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